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Archive for the ‘.Mosaico’ Category

Debates

7 de maio de 2011 3 comentários

Boa tarde, senhores!

Gostaria de começar esse post fazendo uma pergunta: O que é mais importante, fazer prevalecer a sua opinião ou chegar a uma conclusão correta?

Tenho observado largamente discussões e pseudo-debates em chats e comunidades onde as pessoas tentam impor suas opiniões de forma a não darem a menor importância com o certo ou errado.
Isso me lembra Schopenhauer em “A Arte da Controvérsia”, onde ele inicia dizendo que “A arte de discutir, e discutir de forma a vencer um debate, quer se esteja certo ou errado, por meios lícitos ou ilícitos. Um homem pode estar objetivamente certo, e ainda assim aos olhos de espectadores, e por vezes a seu próprio ver, parecer estar errado”.
A maioria dos debates hoje segue esse preceito. Vejo pessoas que sabem o que estão falando parecerem errados perto de argumentos infundados e de jogos de palavras utilizados por “pseudos” a fim de se apresentar como ser pensante e entendedor do assunto. O que na grande maioria das vezes (para não dizer em todas) acabam estragando o debate ou a discussão apenas por não dominarem um assunto.

Nossa sociedade tem o péssimo habito de criar falsos argumentadores de berço. Hoje o importante passou a ser “parecer que sabe”. E como a maioria da população vivem nesse meio, cresce cada vez mais os que parecem…
Podemos dividir o mundo em artistas da eloqüência, retórica, argumentação e dialética e os simples blefadores, que são a maioria. Como vivemos em um mundo onde a “voz do povo é a voz de Deus”, estamos fadados à morte do sentido… O ideal é que as escolas ensinassem oratória, diálogos e debates regrados nos primeiros anos de formação, mas hoje isso não existe nem nos primeiros anos, e nem em toda a vida acadêmica, porem há que se perceber necessário o uso de pelo menos um pouco de bom senso dos que buscam sabedoria ou pelo menos argumentos válidos para uma boa conversa…

Deixo aqui 5 conselhos básicos para uma boa conversa:

1- Primeiramente devemos decidir se vai ser um debate regrado (onde tem um moderador para iniciar o debate, introduzir o tema, dar a palavra aos intervenientes, pedir eclarecimentos, controlar o tempo e fazer uma síntese das conclusões) ou se será apenas uma conversa amistosa sobre determinado assunto. De qualquer forma é muito importante que haja uma introdução ao tema e um ponto onde se deseja chegar.

2- Particularmente, gosto muito de maiêutica (fazer nascer idéias). Entrar em uma conversa com o intuito de aprender ou aprimorar os conhecimentos sempre possibilitam uma conversa gostosa e cortes.

3- Evite exagerar e levar as opiniões dos outros aos limites naturais, de forma a generalizá-la. Quanto mais objetiva for uma declaração, menos o espaço para objeções.

4- Evite linguagem difícil. Uma boa conversa deve ser simples! Falar difícil não é ser inteligente.

5- Pode parecer meio grosseiro, mas “Nunca discuta com um idiota, ele te rebaixa ao nível dele e te vence pela experiência” ou de uma forma mais gentil “Nunca tente ensinar um porco cantar. Desperdiça seu tempo e irrita o porco”

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O Fracasso da Sociedade

6 de outubro de 2010 Deixe um comentário

Eleições 2010. Isso já resumiria o que é o fracasso de uma sociedade.
Porém minha indignação não me permite escrever sobre o tema…
Não quero ser negativista ou pessimista ao escrever aqui, mas fico observando pra onde as coisas estão caminhando e analisando o quanto tedem a piorar antes que algo realmente bom aconteça.
Por sorte temos uma natureza cíclica. E, como sempre, depois de toda tempestade vem bonança, porém mal se iniciou a tempestade social brasileira.
Hoje tivemos grandes reis perdendo o trono na eleição. Hoje temos um número gigantesco de jovens idealistas e dispostos à mudança, temos entidades e associações não governamentais realmente preocupadas com o sucesso da Nação, temos um bom numero de pessoas bem esclarecidas. Enfim, temos vontade. Mas de que vale toda boa vontade do mundo se não temos uma ação bem direcionada?
De que vale todo o amor de uma mãe se, ao ver seu filho com fome, ela não se levanta e o dá de comer? Ou de que vale todo conhecimento de um médico se, quando um paciente precisa, ele não está lá para ajudar?
O amor da mãe não mata a fome do filho, assim como o conhecimento do médico não cura o paciente se não houver uma ação que reflita esse amor e conhecimento. E essa ação há que ser bem canalizada, pois se não for não adiantará de nada, ou em muitos casos apenas agravaria a situação.

Jovens idealistas dispostos à mudança, sem uma canalização, se convertem em ateus, extremistas, fanáticos, guerrilheiros ou simplesmente perdem seu idealismo com o passar dos anos. De qualquer forma, se tornam a maior ameaça a tudo que é bom, simplesmente por não terem o direcionamento correto quando precisavam e tinham energia para isso.

Entidades e associações não governamentais realmente preocupadas com o sucesso da Nação se perdem ou acabam em papeis e burocracias, se vendem ou acabam formando o “núcleo de defesa das baleias rosas com pintinha amarela na orelha esquerda”, com a esperança de fazerem algo útil.

E as pessoas bem esclarecidas acabam sendo manipuladas por algum sistema pseudo-diferente. Acabam escolhendo um lado na política atual e sem sentido ou são coagidas socialmente a aplicarem suas idéias geniais em uma empresa que lhe toma toda a vida de assalto.

E assim voltamos à estaca zero.

O que devemos fazer com isso?

Onde seria o “ponto X” de mudança?
Ainda acredito que olhar pra trás pode trazer respostas…
Não pra 20 ou 30 anos, talvez nem mesmo pra 200 ou 300, mas sim pra épocas que estiveram realmente no auge desses ciclos civilizatórios.
Temos bons exemplos com a Grécia e Roma nas suas épocas auge, com a mítica Atlântida, o Antigo Egito. Mas temos a péssima mania de menosprezar o passado, sem perceber que também seremos passado em pouco tempo, e essas civilizações serão muito mais lembradas que a nossa fétida e corrupta sociedade.
Bom… se nada funciona, por que não tentar uma nova teoria?

Essas civilizações tinham a receita do sucesso civilizatório, na qual, 4 ingredientes principais eram Prudência (Sabedoria), Valor (coragem), temperança (equilíbrio) e Justiça.
Creio que esses ingredientes faltam hoje em dia… então, vou voltar aos meus estudos. E você? O que vai fazer? Melhor reclamar do Tiririca ou buscar uma resposta?

Enquanto pensa, deixo ai duas idéias que peguei agora da net:

1- Estamos vivendo uma era que faz-nos lembrar algumas escrituras indianas sobre a “KALI YUGA” (Idade das travas que estamos entrando):

“Matam-se os fetos e os heróis. Os serviçais querem assumir papéis intelectuais, os intelectuais, o dos serviçais. Os ladrões tornam-se reis e os reis, ladrões. As mulheres virtuosas são raras. A promiscuidade propaga-se. A estabilidade e o equilíbrio das castas e das idades da vida desaparecem. A terra não produz quase nada em certos lugares e muito em outros. Os poderosos apropriam-se do bem público e deixam de proteger o povo … Pessoas sem moralidade pregam a virtude a outrem… Associações criminosas se formam nas cidades e nos países…Ninguém viverá mais a duração normal da vida, que é de cem anos. Os ritos perecerão nas mãos de homens sem virtudes. Pessoas praticando ritos transviados espalhar-se-ão por toda parte. Pessoas não qualificadas estudarão os textos sagrados e tornar-se-ão supostos peritos. Os homens matar-se-ão uns aos outros e matarão também as crianças, as mulheres e as vacas. Os sábios serão condenados à morte…Os homens concentrarão os seus interesses na aquisição, mesmo que seja desonesta, da riqueza…A riqueza substituirá vantajosamente a nobreza de origem, a virtude, o mérito”.

2-

Namastê!

As Mulheres de Esparta

12 de fevereiro de 2010 3 comentários

Independente do que eu fale aqui não conseguirei um bom texto de Honra às Mulheres de Esparta…

Aqui fica um texto de Honra à Todas as mulheres guerreiras… todas as mulheres que batalham dia a dia sempre com um sorriso no rosto.
Esse texto não é para as que abaixam a cabeça. Não é para as que se deixam vencer ou reclamam da vida…

Esse texto é para as Mulheres que sabem que em tempos duros somente os fortes marcham…

Diálogo entre Leônidas (Rei de Esparta) e Paraleia (Mãe de Alexandros e esposa de Olympieus – ambos convocados para se juntarem aos Trezentos que foram para as Termópilas – para resistir e morrer pelo país).
“A senhora me odeia? – perguntou Leônidas. – Se eu fosse a senhora, odiaria. As minhas mãos estariam tremendo de uma fúria difícil de controlar. — Venha, filha, sente-se do meu lado.
A cidade especula e imagina – falou Leônidas – por que escolhi esses homens para os Trezentos. Teria sido por suas proezas como soldados? Talvez, a cidade supõe, eu tenha adivinhado alguma alquimia sutil nesse grupo único. Talvez eu tenha sido subornado ou esteja pagando favores. Nunca direi à cidade por que designei esses Trezentos. Nunca contarei aos Trezentos. Mas contarei a você, agora.
Escolhi-os não por seu valor pessoal, mas pelo valor de suas mulheres.
A Grécia está atravessando o seu momento mais perigoso – continuou Leônidas. — Caso se salve, não será nos Portões – lá, nos aguarda somente a morte, a nossa e a dos nossos aliados – mas depois, nas batalhas que se seguirão, por terra e por mar. Então, a Grécia, se assim for a vontade dos deuses, se preservará.
Quando a batalha terminar, quando os Trezentos estiverem mortos, toda a Grécia se voltará para os espartanos, verá como resistiram.
Mas para quem, senhora, os espartanos se voltarão? Para vocês. Para as esposas, mães, irmãs e filhas dos mortos.
Se eles contemplarem seus corações dilacerados, partidos de dor, os deles também se partirão. E a Grécia com eles. Mas se vocês resistirem, não somente os olhos secos, à aflição da perda, mas desacatando a agonia e a abraçando como uma honra (o que ela é na verdade), então Esparta resistirá. E toda a Hélade a seguirá.
Por que a escolhi para sofrer a mais terrível das provações, e escolhi suas irmãs dos Trezentos? Porque vocês podem.

Nesse momento, Paraleia não mais agüentou e disse:
– E é essa a recompensa da virtude das mulheres, Leônidas? Serem atormentadas duplamente, suportarem um duplo sofrimento?

Então, a rainha Gorgo estendeu a mão, oferecendo-lhe ajuda. Mas Leônidas interveio:
– A minha mulher estendeu-lhe a mão para transmitir com o seu toque o conhecimento do fardo que ela carregou sem queixa durante toda a vida. Pode ser negado a ela simplesmente ser a mulher de Leônidas, mas será sempre a esposa da Lacedemônia. Agora, esse papel também lhe cabe, senhora. Deixará de ser a esposa de Olympieus ou a mãe de Alexandros, mas deverá servir como esposa e mãe de nossa nação. A senhora e suas irmãs dos Trezentos são, agora, as mães de toda a Grécia, e da própria liberdade. É um dever árduo, Paraleia, para o qual convoquei a minha amada esposa, a mãe dos meus filhos, e agora também a convoco. Diga-me, eu estava errado?

Assim como o fogo de uma queimada consome a si mesmo e, por fim, deixa de chamejar, a dor de repente se esvaiu do coração de Paraleia.
Uma paz indulgente a penetrou, como uma dádiva proporcionada não somente pelo abraço forte que Leônidas agora oferecia, mas oriunda de uma fonte ainda mais profunda, inefável e divina. A força retornou aos seus joelhos e a coragem ao seu coração.

Levantando-se, enxugou os olhos e disse:
— Essas foras as últimas lágrimas, meu senhor, que o sol viu correr por meu rosto…”

(PORTÕES DE FOGO)

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A ILUSÃO DEMOCRÁTICA

5 de fevereiro de 2010 3 comentários

2010, ano das eleições maiores
Ano onde fingimos escolher representantes
Ano onde fingimos que somos livres e que nossa opinião faz diferença…
Ano onde “Escolhemos” um chefe de estado (Presidente) e ele escolhe seus ministros.

Falamos em democracia, voto consciente, consciência política, mas há muito tempo eu tento descobrir como isso funciona na prática.

Alguém sabe?

VOTO CONSCIENTE
Há algumas semanas uma pessoa veio com um belíssimo texto sobre voto consciente e me criticou por não dar a mínima para eleições Maiores (na verdade, não dou a mínima para democracia)
Veio com um belíssimo discurso sobre voto consciente.
Então fiz uma pergunta simples: em quem você votou para presidente? E para Senador, Governador, Deputados federais e estaduais?
Bom… presidente e governador quase todo mundo lembra, mas e os outros???

Ok, senhor voto consciente… onde fica sua consciência política agora? Estamos acostumados a torcer pelo Brasil em época de copa, observar candidatos em época de eleição e apenas isso. Como se a consciência só necessitasse de uso de dois em dois anos (copa e eleição)
Mas, mesmo que fosse consciente, será que o voto valeria tanto?

 

 CONSCIÊNCIA POLÍTICA
Voltando ao velho exemplo do navio:
Imagine um Navio que vai de um ponto A para um ponto B…
Esse navio é dividido em classes e tripulação e VOCÊ esta a bordo desse grandioso navio.

Qual a sua classe?
Tripulação: Excelente. Os outros passageiros te colocaram aí. Você é o Capitão desse barco ou um dos seus homens de confiança. Você pode acelerar e desacelerar o navio. Usa roupas bonitas e tem quartos especiais. Não paga nada e ainda recebe muito por isso…. pena que o navio é movido por controle remoto e você não pode escolher o destino.
Mas se pudesse….

A ou B? Ótimo. Você é um dos poucos que pode ver o navio de cima. Olhar o gado povo se debatendo lá embaixo. Você tem quartos de luxo, hotéis de luxo, lazer e uma vida fantástica.
Campos de golf, piscina aquecida e água de coco na boca… Pode acessar quase todas as áreas do navio, exceto a da tripulação.

C ou D? bom… dos males o menor. Nada de cassinos nem piscinas aquecidas, mas tem um ticket que da acesso ao restaurante após a saída da classe A e B. tem um quartinho confortável. Sem luxo, mas pelo menos não passa fome e nem frio… mas sabe que seu dinheiro não vai dar até o fim do mês… mas e daí? Basta servir o andar de cima e eles deixam cair alguns restos…

Classe E ou F? é amigo… você ta ferrado.
Entrou de gaiato nesse navio. É um viajante clandestino. Se te pegam, te jogam no mar. Sorte (??) sua que muita gente finge que você é invisível. Você é apenas o rato que cata as migalhas.. e não tem direito a voto…

– Voto?
É.. as Classes de A à D votam.
Escolhem o presidente capitão. Mas esses não podem fazer nada além de prometer tudo que jamais irá cumprir… Mas pelo menos temos a democracia…

DEMOCRACIA
Contavam-me uma estorinha que a democracia era um sistema filho da puta de governo onde o gado povo tinha o poder de tomar decisões importantes. Nunca vi isso…
O Legislativo, Executivo e Judiciário deveriam ser independentes entre si, mas trabalhar em harmonia, de forma que o próprio poder limitaria o poder, como dizia o filósofo iluminista Montesquieu.
Mas não é o que vemos. Mesmo entre as pessoas que se dizem conscientes politicamente não chega a 2% os que realmente o são. E mais assustador, mais de 50% não sabe nem a que regime democrático estamos sujeitos (Presidencialismo ou Parlamentarismo).
Duvida? Faça uma pesquisa breve.
O presidente e o parlamento nem se tocam.

A Rede Globo elege “Elegemos” uma pessoa para nos representar interna e externamente, comandar nossas forças armadas, firmar tratados, encaminhar projetos ao congresso.
Isso no Ideal seria tão belo…

Eis que me deram um manual de democracia onde dizia:
“Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos através dos seus representantes livremente eleitos”
Livremente? Fala isso pra rede Globo.
Quem escolheu Lula? Quem botou Collor pra fora? O povo? Conta outra… Falando em Collor, aos senhores voto consciente, por que mesmo que ele saiu? Corrupção? Outra piada. Será que ele era pior que o Arruda?

“Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade.”
Olha a palavra “liberdade” outra vez… e onde estão esses princípios?

“As democracias devem proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.”
Uuuuuu… essa é uma das melhores. Os Terreiros de Umbanda que o digam ¬¬

 Bom… parei de ler o manual aqui.. tava me dando ânsia..

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O Mito da Caverna

18 de janeiro de 2010 1 comentário

(Antes de falar sobre o Mito da Caverna, queria deixar claro que quando falo de POLÍTICA nos textos, falo do seu sentido clássico, onde se fundamenta na CIÊNCIA (ou ARTE) racional e efetiva de guiar o povo, criando um modelo de convivência humana que sirva de apoio à lei da evolução.)

Bom…
Neste mito, Platão propõe, em síntese, que imaginemos uma caverna (algo parecido com um cinema moderno), onde estão reunidos vários homens acorrentados às suas cadeiras, de frente para uma parede que serve de tela. Por traz desses homens há um feixe de luz que é constantemente atravessado por portadores dos mais variados objetos, uns animados e outros inanimados, que projetam suas sombras sobre a tela. Estes portadores passam alguns calados e outros conversando entre eles. Esses homens acorrentados nasceram nessa caverna e desde que tomaram “consciência” de suas vidas, a caverna é tudo que conhecem. E as sombras e ecos são o que têm por real.
Se um dos espectadores, movidos por uma inquietação profunda, conseguisse escapar de suas correntes e voltar-se para trás, contemplando diretamente os objetos e os seus portadores, se desconcertaria e os julgaria mais enganadores que as sombras e ecos aos qual estava acostumado. Mas se a audácia ou outra razão o levasse a tentar sair da caverna em direção ao mundo exterior, de onde entra o feixe de luz, recuaria espantado, julgando-se cego.
Se o forçássemos a ficar neste mundo exterior que o desconcerta e cega, clamaria para que o levassem de volta à caverna, onde ele podia ver e ouvir.

Platão diz, então, que este homem enlouqueceria se não o habituássemos pouco a pouco à luz e aos objetos exteriores; por fim, ele chegaria à conclusão de que a luz do Sol é a causa indireta das ilusões da caverna e descobriria que estas não eram mais do que sombras e ecos. Este conhecimento iria torná-lo profundamente feliz e, daí em diante, ele não desejaria mais voltar à escuridão.
Mas, se por amor aos seus semelhantes, ele decidisse voltar, a princípio distinguiria muito pouco ou nada nessa penumbra; seus olhos habituados à luz pura teriam que se readaptar. Logo, explicaria aos seus companheiros os enganos reais.

Entretanto os acorrentados, julgando-o louco, tentariam, se lhes fosse possível, castigá-lo por tais supostas mentiras.
Segundo explica Platão no citado fragmento, o liberto é aquele que, por suas elevadas aspirações, inteligência e audácia pessoal, alcançou o Real, a consciência desperta e que, além de Filósofo, resolveu ser político* para bem dos seus semelhantes. Mas o homem massificado despreza a liberdade, beijando suas infamantes cadeias.
Nós podemos imaginar que no princípio de seu cativeiro cada um dos presos registrou suas experiências, tomando as sombras como realidades e os sons por palavras emitidas pelas sombras: a máquina de enganos habilmente montada e suas correntes não lhes permitiram outro caminho a não ser esse, em direção ao erro e o engano, embora tenham aparentemente liberdade para eleger. Mais tarde, os supostamente generosos donos do recinto, que diziam administrá-lo em nome de todos, convidam, e mesmo forçam, cada prisioneiro a elevar a sua voz e a trocar as suas opiniões com as dos outros, dizendo assim que lhes davam plena liberdade para opinar e eleger, dentre os condenados, aquele que desejam como chefe e guia. Mas que liberdade foi essa, se já estava previamente condicionada à escravidão e ao erro?

Pareceria que, periodicamente, um ou outro prisioneiro “guiava” as resoluções de todos… Mas não, os verdadeiros chefes são aqueles que, para sua conveniência egoísta e desumana, montaram a máquina, aproveitando-se da caverna.
Por detrás dos bastidores, eles riem-se dos esforços estéreis dos prisioneiros e da sua paródia de liberdade. Na chave política, a caverna é o mundo material, a maquina é o sistema dos interesses, da manipulação e da exploração da humanidade, e os prisioneiros são os cidadãos que, enganados, acreditam-se livres.

*Livro VII da República de Platão


“Um Mito não é uma narração tipo fábula, não é um conto ou uma história para crianças. Os mitos, que todos os povos têm, são ensinamentos que contêm uma certa verdade, mas narrado sob uma forma especial, que parece historinha, mas com um conteúdo correto, profundo, que se fosse narrado abertamente não seria compreendido.”
B.D.C.

*Cópia do NOKAMAMANAS.blogspot – postado em 12 de maio de 2007

Os Diferentes Tipos de Homens

24 de dezembro de 2009 Deixe um comentário

Boa tarde senhores,

Já faz um bom tempo que não venho aqui postar nenhum texto, mas essa semana tenho feito um grande trabalho de reflexão sobre os Diferentes tipos de Homens e resolvi compartilhar o resultado com vocês.

Na verdade é mais uma coleção de saberes sobre homens do que uma conclusão própria, mas como dizia HPB, essa sabedoria não é nossa. Nosso é apenas o laço que as une.

É impossivel falar sobre o ser humano sem retomar a sabedoria antiga e comparar o homem comum à imagem arquetípica. Impossível também, falar dos homens sem recorrer a sua constituição, reflexa a de tudo que existe, segundo a máxima hermética: “como é acima, assim é embaixo”.

Falei em textos anteriores sobre a *constituição do Homem, mesmo que resumidamente, e para falar do homem ou dos seus diferentes tipos, retomo essa explicação.
*(https://semkamamanas.wordpress.com/2009/01/15/sem-kama-manas/ Texto: SEM KAMA MANAS)

Se olharmos a constituição quaternária (Etéreo-Físico, Pranico, Astral e Kama Manas) vemos que isso forma a personalidade humana. Nesse ponto em que os homens se diferenciam. Por tal, tomo a constituição quaternária como ponto de partida.

Etéreo-Fisico

Neste veículo a diferença entre os homens se torna muito mais clara.

Como o Etéreo-Fisico corresponde a forma mais densa do ser (seu corpo físico e sua energia “modeladora”) qualquer diferença de cor, tamanho, peso, etc. é uma diferença etéreo-física.
Porém esse veículo também se encontra sendo atualizado no reino Mineral.
Onde vemos materiais bem diferentes em niveis evolutivos.
Podemos pegar como exemplo um grafite e um diamante.
O grafite é tosco e bruto. Dotado de pouca evolução, ao passo que o diamante é uma pedra completamente evoluída. Transparente. Bela. Que encerra em si mesma uma perfeição mística de evolução.

Pranico (ou energético)
Esse veículo já é bem mais sutil do que o etéro-físico, e quando falamos de diferenças nos seres humanos isso raramente se percebe com apenas uma olhada rápida.
Falamos em diferenças significativas em relação à propria energia do homem.
Esse Veículo se encontra em atualização no Reino Vegetal, onde podemos ver facilmente sua diferenciação em algumas plantas.
Basta olhar para um plancton e uma rosa.
Assim como o grafite e o diamante, essas duas formas são muito diferentes em graus evolutivos.
Sem dúvida seria um grande erro dizer que são iguais. Apesar de estarem no mesmo Reino.

Astral (ou emocional)
Em escala evolutiva, o ultimo veículo atualizado pela raça humana.
É nítida a nossa falata de controle desse veículo, mesmo sendo um veículo sobre responsabilidade de formas menos evoluídas: os animais.
Esse corpo trabalha todas as emoções e sentimentos. E segundo a lei natural, já deveríamos ter controle sobre ele, assim como temos dos dois anteriores.
No Reino Animal, vemos cada ser lutando para domar esse veículo que o usa como bem entende.
Mas também podemos falar em escalas evolutivas dentro do próprio Reino e a maior ou menor dificuldade de cada ser ao lidar com isso.
Usarei como exemplo uma ameba e um golfinho.
A ameba mal tem “consciencia” de seu corpo Astral. Tem sua forma etéreo-física, seu controle Pranico (pois pertencia a reinos de escalas evolutivas inferiores), porém esta no início de seu trabalho em busca de atualização Astral.
Por sua vez, o Golfinho tem uma visão mais ampla de seus impulsos astrais e uma surpreendente capacidade de controle dos Instintos. Esse controle é tão evoluido nessa espécie que muitas vezes  supera o controle que alguns humanos tem (mesmo o ser humano pertencendo a um grau evolutivo acima).

Kama Manas (ou mental)
Nesse momento falamos de mente.
Atualização correspondente à raca humana.
Como o Reino mais evoluído entre os quatro. Deveria haver um pleno controle do Etereo-Físico e Pranico, um grande controle Astral e começariamos a guerra no campo mental, porém não é o que vemos.
Aqui sim os seres humanos são realmente diferentes.
Aqui sim identificamos as diferenças significativas em graus evolutivos.
Alguns homens estão na base de sua evolução e ainda vivem como animais, lutando diariamente para controlar seus instintos e poucas vezes têm acesso ao seu campo mental. Simplesmente não pensam.
Agem como animais. E animais pouco evoluídos.
Talvez seria melhor que agissem como golfinhos, mas preferem a selvageria de leões, ursos, guepardos, etc.
Porém tem o elemento mental que se coloca nessa fase, deixando-os em uma confusão maior e gerendo sentimentos (Astral) de discórdia, inveja e selvageria.
Homens evolutivamente básicos, que mal usam sua capacidade de fala. Preferindo rosnar palavrões a sentar e usar seu elemento de direito: A MENTE.
Eles também são humanos. Também são homens, porém comparados a grafites, planctons e amebas.
Primeiro degraus de uma grande escala evolutiva.
Mas, em contrapartida temos homens diamantes, homens rosas, homens golfinhos.
Homens que estão em alto grau de evolução. Homens que controlam seus instintos e usam suas mentes.
Confundir esses tipos de homens é como confundir um grafite com um diamante.
Como confundir plancton com rosa e ameba com golfinho.

São diferentes e devem ser olhados como tal.
Em meio a esse universo de divergencias evolutivas, temos o homem comum. O homem médio. Talvez esse seja o homem que busque algo de bom. Talvez apenas não tenha entendido algumas coisas. Talvez apenas busque tais coisas em lugares errados. Ou muitas vezes nem sabem o que buscam.
Esse homem comum merece respeito, pois dele virá em breve áqueles homens diamantes/Rosas/Golfinhos.
Ele apenas busca a harmonia escutando seus desejos de carência e por isso não percebem a totalidade do momento e do universo.

Esse homem apenas segue esquemas, no lugar de ser natural.
Esse homem muitas vezes erra por exceder seu momento de resposta à estimulos. Tambem erra por não alcança-los.
Erra por não saber ser eficiente.
Mas ainda assim esta acima daqueles que nem tentam ser bons homens, e assim viram apenas maus animais.

Gustavo Santos

concentração

22 de agosto de 2009 1 comentário

Bom dia!

Senhores,

Vou começar o texto de hoje com uma pergunta.

O que é concentração?

Não leia o texto sem antes pensar um pouco no assunto.
Pare um pouco e reflita.
Pense o que você entende por essa palavra.
Responda mentalmente. Se possivel, pegue um papel e uma caneta e escreva seu conceito particular dessa palavra.

O que é concentração?

Aprendi desde cedo que concentração é reunir algo em um ponto o que está espalhado.
Pessoas andam por todos os lados e, de uma hora pra outra, se CONCENTRAM em um lugar.
Existem vários pregos sobre uma mesa, então você pega um imã e CONCENTRA todos em um único lugar.
Sua atenção está despersa, entao você resolve focalizar num livro, por exemplo, e se “concentra” nele.
Os exemplos são muitos.
Mas seria realmente isso?
Agradeço aos deuses por ter a oportunidade de aprender sobre concentração com grandes mestres, como Emília Vargas, Michael Queiroz e, principalmente, nas palestras e livros do Mestre Michel Echenique.
Também é uma grande honra por a concentração a prova nas aulas de Nei Kung (Arte do Poder Interno) e I Ai Do (Arte da Espada Japonesa), ambos estilos de Artes Marciais do Instituto Bodhidharma.

Em Psicolologia, concentração é uma faculdade da consciência e, muitas vezes, se confunde com esta.
Na prática funcionaria mais ou menos assim:
A consciência se dispersa em busca de algum estímulo ou vai para um “branco”, então, nos esforçamos para agrupar os elementos em torno de algo que precisamos fazer. Algo que seja considerado importante. Algo “digno de atenção”.
Porém caimos no grande erro de achar que existem coisas que não precisao de atenção.
Se concentração é uma faculdade da consciência, devemos exercitá-la a todo momento. Não acham?
A concentração requer esforço de consciência, mas não precisa ser, necessáriamente, tensão mental.
Consciência é o centro. Concentração é estar no centro.
Não podemos olhar a conciência como simples espectadores. Estar de fora causa tensão. Estar de fora requer mais esforço.
Nossa consciência é nossa casa. Devemos achar um lugar limpo e confortável.
Devemos poder transitar livremente.
Concentração é uma Arte.
É a Arte de interiorizarmos nossas ações.
É a Arte de agirmos com naturalidade.
É como um diretor de uma orquestra.
Ele é um centro, mas sabe tudo que acontece a sua volta.
Se um erra o tom ele sabe.
Se um esta ansioso, ele sabe.
Nossa consciência há de ser o diretor e nossas ações, os músicos.
Cada ação há de ser dirigida pela consciência. Isso é concentração. 

A concentração nos possibilita relacionar o novo com o que já sabemos.
Evita superficialidade. Evita mudanças negativas.
O centro é sempre mais calmo que a periferia.
Numa batalha o lugar mais seguro sempre será o centro.
O centro nos possibilita prestar mais antenção aos demais.
Concentração é exatamente isso. É estar no centro.
Quem tem o centro, opera; quem não tem, reage.
Reações raramente são inteligentes.
Reações são frutos do intinto.
Estar no centro é comandar a personalidade.

É como estar no centro de um furacão.
Podemos dividir o furacão em três fases.
A primeira é quando a parede externa atinge um ponto. Essa fase é violenta. Devastadora.
A segunda, o centro. O centro é tranquilo. O centro é calmo e sereno. Como se a natureza fosse suspensa. Como uma montanha durante a guerra. O exército avança, recua, atira, sobe, desce, ataca, defende, mas a montanha não se move. A montanha tem o centro.
No furacao, o centro continua parado enquanto tudo a sua volta é destruido. É como se o centro apensas sorrisse. Não se abala. Domina.
A terceira fase do furacão é quando a parede interna atinge o ponto e vem como um raio. Mais uma vez devastador.
Centro é o primeio princípio da estratégia.
Sem centro não há estratégia.
Por falta de centro, situações são mal administradas e se transformam inevitevelmente, em problemas.

No livro “Gorin no sho –  O livro dos cinco elementos” o invencível samurai, Myamoto Musashi escreve sobre CENTRO, e hoje, as empresas japonesas aplicam isso em todos os campos dos negócios e para proporcionar qualidade de vida.
Vários países importaram a “doutrina dos cinco anéis” para transformar isso em uma forma efetiva de viver bem.
Os cinco elementos, cinco círculos ou cinco anéis, somos nós e nossa personalidade!
Baseados nisso, temos:
O Primeiro elemento, Terra, corresposnde ao nosso físico.
O Segundo, Água, à nossa energia Vital/pranica.
O Ar, vem em terceiro representando nosso Emocional.
Fogo representa o Mental e, por último temos o quinto elemento que pode ser visto como Vácuo, Éter ou o EU.
O quinto elemento é o Centro. O EU comanda a personalidade composta de corpo, energia, emocional e mental.
Estar no centro é observar essa personalidade de forma tranquila.
É estar canalizado.  E estar no “canal” permite fluir.
Tal como um barco que segue por um rio. O rio é o canal e não se faz necessario esforço seguir por ele. No contrario, muitas vezes não se move um centimetro sequer, sem estar no canal.
Estar nesse centro permite fazer o que fazemos, sabendo o porquê fazemos. 

Quando alguem lê um livro e não percebe a chegada de outra pessoa, é comum ouvirmos dizer: “estava tão CONCENTRADO que não ví você chegar”. Mas isso não é concentração. Isso é Alienação.
O certo seria: “estava tão ALIENADO que não ví você chegar”.
Se você está no centro, lê, percebe a chegada, domina sua respiração, pulsação, sabe do ambiente e ainda sabe de você.
Fiz uma experiencia interessante com minha turma de Nei Kung sobre concentração.
Pedi que fizessem um exercício de ritmo e coordenaçao durante um bom tempo, e pedi para que mantivessem a consciencia no que estavam fazendo. Quem conseguia se manter no centro, fazia o exercício sem se cansar e ainda prestava a atençao ao que eu falava, conseguindo repetir com facilidade o que foi dito.
Do contrario, os que focavam no cansaço físico, na falta de energia, nas emoções, nos desejos ou nos pensamentos de parar o exercicio, cansavam facilmente e não conseguiam perceber o que eu falava.
Estar no centro é estar sempre no domínio dessa personalidade.
É saber que você não é seu corpo. Não é sua energia. Não é sua emoção ou sua mente.

Você é o proprio centro.

Estar no centro é estar em você mesmo!

 

A montanha não se move,
a infantaria avança quando é chamada,
a cavalaria corre ligeira e se desloca pelos flancos.
Os arqueiros lançam suas flechas antes que
os primeiros alcancem seus objetivos.
As tropas de elite esperam para destruir
o inimigo no momento oportuno.
Tudo na guerra é movimento; avanço,
retrocesso, marcha, contramarcha, deslocamento
para um lugar e outro, mas, em meio do combate,
do ruído, os gritos, a vida e a morte,
a montanha permanece quieta, não se move”

Namastê.

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