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concentração

Bom dia!

Senhores,

Vou começar o texto de hoje com uma pergunta.

O que é concentração?

Não leia o texto sem antes pensar um pouco no assunto.
Pare um pouco e reflita.
Pense o que você entende por essa palavra.
Responda mentalmente. Se possivel, pegue um papel e uma caneta e escreva seu conceito particular dessa palavra.

O que é concentração?

Aprendi desde cedo que concentração é reunir algo em um ponto o que está espalhado.
Pessoas andam por todos os lados e, de uma hora pra outra, se CONCENTRAM em um lugar.
Existem vários pregos sobre uma mesa, então você pega um imã e CONCENTRA todos em um único lugar.
Sua atenção está despersa, entao você resolve focalizar num livro, por exemplo, e se “concentra” nele.
Os exemplos são muitos.
Mas seria realmente isso?
Agradeço aos deuses por ter a oportunidade de aprender sobre concentração com grandes mestres, como Emília Vargas, Michael Queiroz e, principalmente, nas palestras e livros do Mestre Michel Echenique.
Também é uma grande honra por a concentração a prova nas aulas de Nei Kung (Arte do Poder Interno) e I Ai Do (Arte da Espada Japonesa), ambos estilos de Artes Marciais do Instituto Bodhidharma.

Em Psicolologia, concentração é uma faculdade da consciência e, muitas vezes, se confunde com esta.
Na prática funcionaria mais ou menos assim:
A consciência se dispersa em busca de algum estímulo ou vai para um “branco”, então, nos esforçamos para agrupar os elementos em torno de algo que precisamos fazer. Algo que seja considerado importante. Algo “digno de atenção”.
Porém caimos no grande erro de achar que existem coisas que não precisao de atenção.
Se concentração é uma faculdade da consciência, devemos exercitá-la a todo momento. Não acham?
A concentração requer esforço de consciência, mas não precisa ser, necessáriamente, tensão mental.
Consciência é o centro. Concentração é estar no centro.
Não podemos olhar a conciência como simples espectadores. Estar de fora causa tensão. Estar de fora requer mais esforço.
Nossa consciência é nossa casa. Devemos achar um lugar limpo e confortável.
Devemos poder transitar livremente.
Concentração é uma Arte.
É a Arte de interiorizarmos nossas ações.
É a Arte de agirmos com naturalidade.
É como um diretor de uma orquestra.
Ele é um centro, mas sabe tudo que acontece a sua volta.
Se um erra o tom ele sabe.
Se um esta ansioso, ele sabe.
Nossa consciência há de ser o diretor e nossas ações, os músicos.
Cada ação há de ser dirigida pela consciência. Isso é concentração. 

A concentração nos possibilita relacionar o novo com o que já sabemos.
Evita superficialidade. Evita mudanças negativas.
O centro é sempre mais calmo que a periferia.
Numa batalha o lugar mais seguro sempre será o centro.
O centro nos possibilita prestar mais antenção aos demais.
Concentração é exatamente isso. É estar no centro.
Quem tem o centro, opera; quem não tem, reage.
Reações raramente são inteligentes.
Reações são frutos do intinto.
Estar no centro é comandar a personalidade.

É como estar no centro de um furacão.
Podemos dividir o furacão em três fases.
A primeira é quando a parede externa atinge um ponto. Essa fase é violenta. Devastadora.
A segunda, o centro. O centro é tranquilo. O centro é calmo e sereno. Como se a natureza fosse suspensa. Como uma montanha durante a guerra. O exército avança, recua, atira, sobe, desce, ataca, defende, mas a montanha não se move. A montanha tem o centro.
No furacao, o centro continua parado enquanto tudo a sua volta é destruido. É como se o centro apensas sorrisse. Não se abala. Domina.
A terceira fase do furacão é quando a parede interna atinge o ponto e vem como um raio. Mais uma vez devastador.
Centro é o primeio princípio da estratégia.
Sem centro não há estratégia.
Por falta de centro, situações são mal administradas e se transformam inevitevelmente, em problemas.

No livro “Gorin no sho –  O livro dos cinco elementos” o invencível samurai, Myamoto Musashi escreve sobre CENTRO, e hoje, as empresas japonesas aplicam isso em todos os campos dos negócios e para proporcionar qualidade de vida.
Vários países importaram a “doutrina dos cinco anéis” para transformar isso em uma forma efetiva de viver bem.
Os cinco elementos, cinco círculos ou cinco anéis, somos nós e nossa personalidade!
Baseados nisso, temos:
O Primeiro elemento, Terra, corresposnde ao nosso físico.
O Segundo, Água, à nossa energia Vital/pranica.
O Ar, vem em terceiro representando nosso Emocional.
Fogo representa o Mental e, por último temos o quinto elemento que pode ser visto como Vácuo, Éter ou o EU.
O quinto elemento é o Centro. O EU comanda a personalidade composta de corpo, energia, emocional e mental.
Estar no centro é observar essa personalidade de forma tranquila.
É estar canalizado.  E estar no “canal” permite fluir.
Tal como um barco que segue por um rio. O rio é o canal e não se faz necessario esforço seguir por ele. No contrario, muitas vezes não se move um centimetro sequer, sem estar no canal.
Estar nesse centro permite fazer o que fazemos, sabendo o porquê fazemos. 

Quando alguem lê um livro e não percebe a chegada de outra pessoa, é comum ouvirmos dizer: “estava tão CONCENTRADO que não ví você chegar”. Mas isso não é concentração. Isso é Alienação.
O certo seria: “estava tão ALIENADO que não ví você chegar”.
Se você está no centro, lê, percebe a chegada, domina sua respiração, pulsação, sabe do ambiente e ainda sabe de você.
Fiz uma experiencia interessante com minha turma de Nei Kung sobre concentração.
Pedi que fizessem um exercício de ritmo e coordenaçao durante um bom tempo, e pedi para que mantivessem a consciencia no que estavam fazendo. Quem conseguia se manter no centro, fazia o exercício sem se cansar e ainda prestava a atençao ao que eu falava, conseguindo repetir com facilidade o que foi dito.
Do contrario, os que focavam no cansaço físico, na falta de energia, nas emoções, nos desejos ou nos pensamentos de parar o exercicio, cansavam facilmente e não conseguiam perceber o que eu falava.
Estar no centro é estar sempre no domínio dessa personalidade.
É saber que você não é seu corpo. Não é sua energia. Não é sua emoção ou sua mente.

Você é o proprio centro.

Estar no centro é estar em você mesmo!

 

A montanha não se move,
a infantaria avança quando é chamada,
a cavalaria corre ligeira e se desloca pelos flancos.
Os arqueiros lançam suas flechas antes que
os primeiros alcancem seus objetivos.
As tropas de elite esperam para destruir
o inimigo no momento oportuno.
Tudo na guerra é movimento; avanço,
retrocesso, marcha, contramarcha, deslocamento
para um lugar e outro, mas, em meio do combate,
do ruído, os gritos, a vida e a morte,
a montanha permanece quieta, não se move”

Namastê.

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Categorias:.Mosaico
  1. 4 de novembro de 2009 às 11:19 PM

    Que legal que tu tem um blog! Estou na escola de Florianópolis. Tenho um blog irmão do teu. http://www.filosofante.wordpress.com
    Passe lá de vez em quando, e bom trabalho 😉
    A!
    Gonçalo

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